Novo sistema da Fhemig afeta atendimentos de urgência

Dificuldades enfrentadas por profisisonais da saúde desde a instalação de novo software de gestão, o Tasy, em unidades da Fhemig, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais. Este foi o mote da audiência pública realizada neste 2 de junho pela Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG).

O conselheiro do CES/MG, Rilke Públio, representou o Conselho e teceu suas observações: “o caos e a burocratização que, segundo ele, vieram com o sistema Tasy fariam parte de um processo de redução do Estado empreendido pelas últimas gestões do governo estadual”.

O software substituiu o sistema SIG na gestão hospitalar do Estado, e sua instalação teria demandado do Governo do Estado um investimento de R$ 23,6 milhões.

Uma queixa recorrente exposta por servidores foi quanto à operacionalização do Tasy, que tornou burocráticos procedimentos que não condizem com atendimentos de urgência e emergência, obrigando enfermeiros e técnicos a verificações demoradas em prescrições lançadas no sistema e gerando filas na farmácia para a retirada de materiais e medicamentos.

“Em 32 anos na Fhemig, essa é a pior gestão que vejo. Fazem pactuações sem nos consultar”, afirmou Silvana. Segundo ela, o novo sistema obriga técnicos e enfermeiros a ficarem por horas em consultas na plataforma. “Sem falar nas vezes que o sistema cai em hora de medicação”, pontuou uma enfermeira presente ao encontro.

“Temos denúncias de um cenário de violência estrutural praticada pelo Estado contra trabalhadores da Fhemig, caracterizada pela restrição de direitos, precarização das condições de trabalho e enfraquecimento dos serviços públicos de saúde”, alertou Rilke.

Entre os principais problemas apontados estão:
• Precarização e sucateamento dos serviços de saúde, com redução de equipes, sobrecarga de trabalho e deterioração das condições de atendimento.
• Formação de complexos hospitalares, considerada ineficiente por centralizar a gestão, afastar gestores da realidade das unidades e enfraquecer estruturas locais já consolidadas.
• Desmonte de equipes e alterações organizacionais, incluindo mudanças de espaços físicos, divisão de servidores entre unidades e desrespeito ao conhecimento técnico dos trabalhadores.
• Avanço da terceirização em diversos setores, como farmácia, manutenção, rouparia, lactário e serviços médicos, gerando preocupações quanto à qualidade assistencial, transparência e interesses econômicos envolvidos.
• Fragilização da Assistência Farmacêutica, marcada pela perda de coordenação institucional, falta de diretrizes, insuficiência de recursos humanos, problemas de infraestrutura e desabastecimento de insumos.
• Ameaças constantes de implantação de Organizações Sociais (OS) e substituição de servidores efetivos por modelos terceirizados, gerando insegurança e desmotivação.
• Falta de diálogo, transparência e participação dos trabalhadores em decisões que impactam diretamente seu trabalho e os serviços prestados.
• Assédio moral e perseguições, com relatos frequentes de processos administrativos utilizados como forma de intimidação e coerção.
• Retirada ou ameaça de retirada de direitos, especialmente relacionados a servidores com filhos com deficiência e outros benefícios conquistados.
• Pressão para utilização de equipamentos e aplicativos pessoais, como o WhatsApp, para fins de trabalho, inclusive fora do horário de expediente.
• Falta recorrente de insumos e equipamentos, comprometendo a assistência e aumentando a sobrecarga dos profissionais.
• Adoecimento físico e mental dos trabalhadores, com aumento de casos de ansiedade, depressão, fadiga e outras doenças relacionadas ao ambiente de trabalho.

Resume-se, portanto, que a atual política de gestão da Fhemig promove o enfraquecimento do serviço público, a desvalorização dos servidores e a precarização da assistência à população, resultando em insegurança, perda de direitos e adoecimento dos trabalhadores, apontou o conselheiro estadual de Saúde.

(Com informações da ALMG / Fotos: Guilherme Bergamini-ALMG)

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