1ª secretária do CES-MG participa de audiência pública na ALMG sobre políticas públicas para mulheres na menopausa

A 1ª secretária e coordenadora da Comissão Intersetorial de Saúde das Mulheres do Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais (CES-MG), Gláucia de Fátima Batista, participou, no dia 7/6, da 13ª reunião extraordinária da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que debateu a situação de políticas públicas para mulheres na menopausa.

A deputada estadual, Ana Paula Siqueira, apresentou diversos requerimentos sobre o tema e suas devidas votações para proposição. “São questões que repercutem de diversas formas a saúde integral no bem estar e da qualidade de vida”, relatou, ao explicar o tema a ser debatido na audiência.

Gláucia, que fez parte da composição da mesa de debates, reforçou a defesa da saúde das  mulheres, em especial neste momento pós-covid-19 e acrescentou que “as mulheres são as mais prejudicadas quando há redução de financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS)”, disse.

Desigualdade e hormônios

A médica Ana Lúcia Valadares, do Comitê de Climatério e Ginecologia Endócrina, explicou como ocorrem os sintomas e impactos da menopausa. Segundo ela, 25% das mulheres nesse estágio têm sintomas graves, o que impacta a vida, seja no trabalho, nas relações familiares e sociais. “É um grande sofrimento para a mulher”, enfatizou.

Valadares apresentou dados de um estudo feito na América Latina que mostra que apenas 12% das mulheres recebem tratamento nessa fase da vida. Por outro lado, um estudo brasileiro, ainda não publicado, revela que 20% das mulheres fazem tratamento. Pode-se observar também que o tempo de tratamento é de três meses em mulheres de classes sociais menos favorecidas enquanto nas classes mais favorecidas é de 24 meses e é preciso ter um olhar sobre isso. A deputada Ana Paula Siqueira acrescentou que são muitos desafios, especialmente em relação às desigualdades sociais na saúde pública.

Ana Lúcia revela ainda a constatação é de que essas mulheres não são encaminhadas adequadamente e é preciso atentar para a necessidade de treinamento dos serviços de saúde. Citou a Síndrome Geniturinária, condição que só piora com o tempo é um reflexo da falta de hormônios, apresentando uma série de sintomas que afetam a vulva, vagina e uretra impactando a saúde. Somado a isso, outro agravante é a incontinência urinária.

A médica e membra da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia de Minas Gerais, Patrícia Corradi, explicou que a terapia hormonal do climatério precisa ser contínua e sustentada, oferecendo acesso às mulheres tanto aos hormônios quanto ao acompanhamento. Citou a importância da equipe multiprofissional para preparar a mulher com informações sobre saúde cardiovascular, reposição de vitaminas, suplementação da vitamina D, prática regular de exercícios, cuidados com alimentação consumo, adequado de cálcio. “A mulher precisa ser enxergada em suas inúmeras particularidades, porque o hormônio tem ação sistêmica. A terapia hormonal não anula o declínio dos hormônios, mas minimiza a falta deles”, ressalta.

Um olhar sobre o climatério

A professora da Universidade Federal de Ouro Preto, Renata Guerra de Sá Cota, apresentou a experiência realizada pela universidade em parceria com a Prefeitura de Ouro Preto que consiste em um programa de extensão chamado “Iris: um olhar sobre o climatério”. O objetivo é desenvolver a formação de recursos humanos para estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado que mantêm contato com mulheres de 40 a 65 anos ações. A estratégia envolve a aplicação de questionários sobre a sintomatologia da menopausa e nas avaliações ficou evidente como o tema é desconhecido e mal compreendido.

Renata deixou a sugestão de que neste ano a campanha do “Outubro Rosa” reserve um espaço para falar sobre o climatério, tanto para mulheres que estão nessa fase quanto para mulheres jovens, possibilitando passar por essa experiência de maneira mais tranquila.

A experiência chamou a atenção os relatos de sintomas geniturinários, infecções urinárias recorrentes, desconforto nas relações sexuais e os tabus que pedem mais debates sobre o tema como, por exemplo, em rodas de conversas para que o conhecimento seja ofertado a essas mulheres e que elas consigam entender o que de fato acontece com elas. “Além de políticas públicas, é preciso um plano de ação para que a informação chegue até a base”, enfatizou.

Sem terapia hormonal no SUS

A representante da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Amanda Guia Santos Silva, apresentou o funcionamento dos serviços disponíveis no estado, estabelecidos por protocolos e diretrizes para o cuidado destinado às mulheres no climatério. Segundo ela, o cuidado preconizado deve ocorrer de forma integral e humanizada por meio da Atenção Básica, com a atuação de equipes multiprofissionais e na Atenção Especializada, de acordo com a necessidade. Informou que não há terapia de reposição hormonal no âmbito do SUS, sendo que há nos protocolos manejos farmacológicos e não farmacológicos.

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